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Ficha de avaliação fisioterapêutica veterinária: modelo para cão, gato e cavalo

Para veterinários · 10 min de leitura · Por Equipe VetMotion

Médica-veterinária preenchendo a ficha de avaliação na prancheta ao lado de um Golden Retriever deitado sobre a mesa de atendimento
Resumo: Uma ficha de avaliação fisioterapêutica veterinária precisa responder três perguntas antes da primeira sessão — é seguro tratar, qual é o problema funcional e como vou provar que melhorou. Na prática, isso vira nove blocos — anamnese, sinais de alerta, exame estático, marcha com escala de claudicação (0–5 no cão e no gato, AAEP 0–5 no cavalo), testes ortopédicos, triagem neurológica, goniometria e perimetria, avaliação funcional e plano com data de reavaliação. A reavaliação usa uma ficha mais curta, só com o que muda.

A ficha de avaliação fisioterapêutica é o que separa um plano de reabilitação de uma lista de sessões. Ela registra a linha de base do paciente e, sem esse ponto de partida, nenhuma evolução pode ser demonstrada depois, nem ao responsável, nem ao colega que encaminhou o caso.

Este modelo foi montado a partir da estrutura de avaliação do livro-texto de Millis e Levine e das formações de reabilitação veterinária (o programa CCRP da Universidade do Tennessee e o Canine Rehabilitation Institute). A sequência abaixo é a mesma da ficha de avaliação de fisioterapia do VetMotion e vale para cão, gato e cavalo, com as diferenças de cada espécie indicadas em cada bloco.

O que a ficha precisa responder

Antes da primeira sessão, a avaliação precisa responder três perguntas:

  1. É seguro tratar? Existe alguma contraindicação à terapia ou a uma modalidade específica?
  2. Qual é o problema funcional e onde ele está? Ortopédico, neurológico ou ambos? Qual membro? Qual articulação?
  3. Como vou provar que melhorou? Que medidas objetivas formam a linha de base e quando serão repetidas?

Os nove blocos a seguir existem para responder essas três perguntas, e nenhum deles é decorativo.

1. Anamnese e queixa principal

Registre a queixa nas palavras do responsável, o início (súbito ou gradual), a evolução e o que piora ou melhora o quadro. Anote o diagnóstico médico ou cirúrgico já estabelecido, a data e a técnica da cirurgia, quando houver, e as restrições passadas pelo cirurgião, além das medicações em uso.

Dois campos estruturados ajudam a organizar o raciocínio:

Pergunte também sobre o ambiente (piso liso, escadas, acesso a sofá e carro) e sobre o que o responsável espera da reabilitação. O objetivo dele entra no plano.

2. Sinais de alerta e contraindicações

Este bloco vem antes de qualquer manipulação. A ficha do VetMotion lista seis itens que mudam a conduta:

Existe também a opção "nenhum", para o veterinário confirmar ativamente que checou. Campo em branco não é o mesmo que campo checado. Muitos desses itens contraindicam uma modalidade ou uma região, e não a reabilitação inteira. Por isso a ficha registra o achado e o plano diz o que fica suspenso.

Dois achados fora da lista pedem que o diagnóstico seja revisto antes de começar: déficit neurológico que piora entre uma consulta e outra e dor que não muda com posição nem com movimento. Nesses casos, a reabilitação espera a investigação.

3. Exame estático

Com o paciente em estação, avalie:

4. Marcha e claudicação: cão e gato × cavalo

Observe a marcha ao passo e ao trote, em linha reta e, no cavalo, também em círculo e em pisos diferentes. Registre o grau de claudicação e o membro acometido: membro torácico direito ou esquerdo (MTD, MTE) e membro pélvico direito ou esquerdo (MPD, MPE).

EspécieEscalaCritério centralExtremos
Cão e gato0–5 (Millis)apoio do membro durante a marcha0 = normal; 5 = claudicação sem apoio, contínua
CavaloAAEP 0–5em que condições a claudicação aparece0 = não perceptível em nenhuma circunstância; 5 = apoio mínimo em movimento ou em repouso, ou incapacidade de se mover

Na escala de pequenos animais, os graus intermediários são: 1, claudicação discreta e intermitente; 2, claudicação evidente, com apoio; 3, claudicação grave, ainda com apoio; 4, claudicação sem apoio intermitente (Millis, 2004, reproduzido por Hesbach, 2013).

Na escala da AAEP, o que separa os graus intermediários é a andadura. No grau 3, a claudicação é observável de forma consistente ao trote, em qualquer circunstância. No grau 4, ela já é evidente ao passo.

Uma ressalva importante: em cães, a concordância entre observadores que pontuaram a claudicação de forma visual foi baixa, e os escores subjetivos só refletiram bem a plataforma de força quando a claudicação era grave. Os autores recomendam manter o mesmo avaliador ao longo do acompanhamento (Quinn et al., 2007). O escore de claudicação entra na ficha, mas não substitui as medidas objetivas do bloco 7. No gato, quando a observação no consultório for limitada, um vídeo do animal andando em casa, feito pelo responsável, complementa a avaliação.

5. Testes ortopédicos nomeados

Na ficha, marcar o teste significa achado alterado ou positivo. O detalhe (grau, lado, resposta dolorosa) vai no campo de texto.

Cão e gato:

Em articulação operada recentemente, manobras de estresse só entram com a liberação do cirurgião.

Cavalo: teste de flexão positivo, dor à palpação do dorso, assimetria pélvica e resposta à pinça de casco.

6. Triagem neurológica

Quando o tipo de condição inclui "neurológica", registre déficit proprioceptivo (knuckling), reflexos espinhais alterados, reflexo cutâneo do tronco alterado, pares cranianos alterados, ataxia e paresia ou plegia. Com esses achados, defina a localização: C1–C5, C6–T2, T3–L3, L4–S3, multifocal ou indeterminada.

A lógica é a do padrão de neurônio motor superior e inferior. Uma lesão entre C6 e T2, por exemplo, produz sinais de neurônio motor inferior nos membros torácicos e de neurônio motor superior nos pélvicos. A exceção mais comum é a lesão T3–L3 grave e aguda, que pode cursar por alguns dias com tônus e reflexos pélvicos diminuídos (choque medular). O ponto em que o reflexo cutâneo do tronco deixa de aparecer indica uma lesão de um a quatro segmentos medulares (cerca de duas vértebras) cranialmente a esse ponto (Radaelli, 2020). A localização importa para a reabilitação porque define quais grupos musculares e quais exercícios entram no plano.

No cavalo adulto, os reflexos espinhais dos membros são difíceis de avaliar com o animal em estação; a triagem se apoia mais na marcha, na ataxia e nas reações posturais.

7. Medidas objetivas: goniometria e perimetria

São as medidas que transformam "parece melhor" em número.

Anote sempre a posição do membro e, se possível, quem mediu. No cavalo, use o mesmo goniômetro e o mesmo avaliador nas reavaliações.

8. Avaliação funcional e instrumentos validados

Registre as dificuldades funcionais: sentar e levantar, subir ou saltar, escadas e capacidade de exercício. São as queixas que o responsável percebe em casa e, por isso, as melhorias que ele vai valorizar.

Para dor crônica e osteoartrite, existem questionários validados respondidos pelo responsável:

Nenhum dos dois pode ter as perguntas alteradas. No VetMotion, a dor é acompanhada a cada sessão por escalas escolhidas para cada espécie: Glasgow CMPS-SF e Colorado no cão; Feline Grimace Scale, UNESP-Botucatu e Colorado no gato; HGS e Composite Pain Scale no cavalo. Vale lembrar que essas escalas foram desenvolvidas para dor aguda, e a de Colorado não passou por validação formal; na dor crônica, os questionários acima continuam sendo a referência.

9. Plano e reavaliação

Feche a avaliação com:

A reavaliação usa uma ficha curta: evolução global (muito melhor, melhor, estável ou pior), número de sessões desde a última avaliação, grau de claudicação, dor (melhorou, igual ou piorou), objetivos atingidos (sim, parcial ou não) e ajuste do plano. As medidas objetivas são repetidas na mesma posição usada na primeira avaliação.

Tabela-resumo da ficha (para copiar)

BlocoO que registrarCão e gatoCavalo
1. Anamnesequeixa, início, evolução, cirurgia e restrições, medicações, tipo de condição, nível de atividade, ambiente, objetivo do responsáveligualincluir uso e rotina de trabalho
2. Sinais de alertafratura instável, infecção ou febre, neoplasia local, doença cardiorrespiratória descontrolada, ferida aberta, restrição pós-cirúrgica ou "nenhum"igualigual
3. Exame estáticoescore corporal, simetria muscular, postura e distribuição de pesoigualigual
4. Marchagrau de claudicação e membro (MTD, MTE, MPD, MPE)escala 0–5 de pequenos animaisescala AAEP 0–5
5. Ortopédicotestes alterados e detalhesgaveta cranial, thrust tibial, Ortolani, lombossacra, iliopsoas, ombro medialflexão, palpação do dorso, assimetria pélvica, pinça de casco
6. Neurológicopropriocepção, reflexos, cutâneo do tronco, pares cranianos, ataxia, paresia e localizaçãose houver condição neurológicase houver condição neurológica
7. Medidasgoniometria (graus) e perimetria (cm) por lado, com a posiçãoombro, cotovelo, carpo, quadril, joelho, tarsocarpo, boletos e tarso; mesmo goniômetro e mesmo avaliador
8. Funcionalsentar e levantar, subir e saltar, escadas, capacidade de exercícioLOAD (cão) ou FMPI (gato), se aplicávelescalas de dor por sessão
9. Planoproblemas, objetivos mensuráveis, prognóstico, reavaliar em N sessõesigualigual

Como isso fica no VetMotion

No VetMotion, a ficha de avaliação vem pronta por espécie (cão, gato ou cavalo) e por terapia (fisioterapia, acupuntura, quiropraxia ou osteopatia). O cavalo recebe automaticamente a escala da AAEP e a bateria de testes equinos. O bloco neurológico só aparece quando a condição é neurológica, e a reavaliação abre a ficha resumida. A goniometria e a perimetria entram pelo botão Adicionar da ficha e viram gráfico por articulação, com o lado esquerdo e o direito no mesmo gráfico. A ficha é um ponto de partida: os campos estruturados garantem que nada fique para trás, e a decisão clínica continua sendo do médico-veterinário.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre a ficha de avaliação inicial e a de reavaliação?

A avaliação inicial é o exame completo que define se é seguro tratar, qual é o problema e qual é a linha de base. A reavaliação é um registro curto de progresso — evolução global, grau de claudicação, dor, objetivos atingidos e ajuste do plano — feito a intervalos definidos. Repetir a ficha inteira a cada retorno toma tempo e dilui o que realmente mudou.

Posso usar a mesma escala de claudicação em cão e em cavalo?

Não. As duas vão de 0 a 5, mas os critérios são diferentes. A escala da AAEP, usada em equinos, gradua a claudicação pelas condições em que ela aparece (trote em linha reta, círculo, piso duro, passo). Na escala de pequenos animais, o critério central é o apoio do membro. Registre sempre qual escala foi usada e, se possível, mantenha o mesmo avaliador, para que a reavaliação seja comparável.

Preciso sedar o paciente para fazer goniometria na avaliação?

Na maioria dos casos, não. Em Labradores, a sedação não alterou a amplitude articular medida, e em gatos a goniometria foi válida com e sem sedação. A exceção prática são pacientes muito ansiosos ou de porte gigante, em que a flexão e a extensão máximas podem não ser toleradas acordado. O importante é repetir a mesma condição nas reavaliações.

O LOAD e o FMPI são de uso livre?

Não exatamente. O LOAD pertence à Universidade de Liverpool e é distribuído pela Elanco, sob licença, a profissionais de saúde animal. O FMPI (hoje distribuído na versão curta, FMPI-sf) tem copyright da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State): o acesso é liberado mediante pedido de permissão, e o uso comercial exige licença. Nos dois casos, o questionário não pode ser alterado.

Com que frequência devo reavaliar um paciente de reabilitação?

Não há um intervalo único definido pela literatura; ele depende da fase e da velocidade de resposta do quadro. O mais importante é que a data da reavaliação saia da primeira consulta já marcada, com os objetivos mensuráveis que serão conferidos. No VetMotion, a ficha sugere reavaliar a cada 5 sessões, e o veterinário pode alterar esse número.

Fontes consultadas

  1. University of Tennessee — Canine Rehabilitation Certificate Program (CCRP)
  2. Canine Rehabilitation Institute — certificações em reabilitação veterinária
  3. Millis DL, Levine D (eds.). Canine Rehabilitation and Physical Therapy, 2ª ed. Elsevier, 2014
  4. Hesbach AL (2013). The Outcomes Toolbox (APTA CSM 2013) — reproduz a escala de claudicação 0–5 de Millis DL, "Assessing and measuring outcomes", em Millis DL, Levine D, Taylor RA (eds.), Canine Rehabilitation and Physical Therapy, Saunders, 2004, p. 211–227
  5. Horse Canada — The Lameness Scale Demystified (escala de claudicação da AAEP, graus 0 a 5)
  6. Quinn MM, Keuler NS, Lu Y, Faria ML, Muir P, Markel MD (2007). Evaluation of agreement between numerical rating scales, visual analogue scoring scales, and force plate gait analysis in dogs. Veterinary Surgery 36(4), 360–367
  7. Gundersen K, Millis D, Zhu X (2022). Development and testing of a stifle function score in dogs. Frontiers in Veterinary Science 9, 895567
  8. Merck Veterinary Manual — Joint Trauma in Dogs and Cats (Lafuente P)
  9. Merck Veterinary Manual — Hip Dysplasia in Dogs (Lafuente P)
  10. Cook JL, Renfro DC, Tomlinson JL, Sorensen JE (2005). Measurement of angles of abduction for diagnosis of shoulder instability in dogs using goniometry and digital image analysis. Veterinary Surgery 34(5), 463–468
  11. Radaelli S (2020). Neurological examination of spinal patients, part 2. Vet Times
  12. Jaegger G, Marcellin-Little DJ, Levine D (2002). Reliability of goniometry in Labrador Retrievers. American Journal of Veterinary Research 63(7), 979–986
  13. Jaeger GH, Marcellin-Little DJ, DePuy V, Lascelles BDX (2007). Validity of goniometric joint measurements in cats. American Journal of Veterinary Research 68(8), 822–826
  14. Adair HS, Marcellin-Little DJ, Levine D (2016). Validity and repeatability of goniometry in normal horses. Veterinary and Comparative Orthopaedics and Traumatology 29(4), 314–319
  15. McCarthy DA, Millis DL, Levine D, Weigel JP (2018). Variables affecting thigh girth measurement and observer reliability in dogs. Frontiers in Veterinary Science 5, 203
  16. Walton MB, Cowderoy E, Lascelles D, Innes JF (2013). Evaluation of construct and criterion validity for the Liverpool Osteoarthritis in Dogs (LOAD) clinical metrology instrument. PLoS ONE 8(3), e58125
  17. Elanco — acesso ao questionário LOAD para profissionais (termos de licença)
  18. NC State College of Veterinary Medicine — Feline Musculoskeletal Pain Index (FMPI-sf)
  19. Benito J et al. (2013). Reliability and discriminatory testing of a client-based metrology instrument, feline musculoskeletal pain index (FMPI). The Veterinary Journal 196(3), 368–373

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