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Software de fisioterapia veterinária: o que o sistema precisa ter

Para veterinários · 9 min de leitura · Por Equipe VetMotion

Médica-veterinária ajoelhada ao lado de um Border Collie apoiado num disco de equilíbrio, numa sala de reabilitação com esteira aquática, maca e bolas de exercício
Resumo: Um software de fisioterapia veterinária precisa registrar o que a reabilitação tem de específico — ficha própria para cada terapia, dor em escala validada para cada espécie, goniometria e perimetria em gráfico e os exercícios feitos em casa — e ainda resolver agenda, cobrança por sessão e pacotes, funcionar sem sinal no atendimento domiciliar e tratar os dados do responsável conforme a LGPD. Sistema pensado para a clínica geral nem sempre cobre essa parte específica.

Escolher um software de fisioterapia veterinária é diferente de escolher um sistema para clínica geral. Na reabilitação, o paciente volta toda semana, o resultado é medido em graus, centímetros e pontos de escala de dor, e boa parte do tratamento acontece em casa, nas mãos do responsável. Um sistema que só guarda texto livre e emite boleto não acompanha esse ritmo.

Este artigo é um checklist de vet para vet. Os critérios valem para qualquer sistema que você esteja avaliando. Onde fizer sentido, conto como o VetMotion resolve cada ponto hoje — sem prometer o que ele ainda não faz.

Prontuário por terapia: fisioterapia, acupuntura, osteopatia e quiropraxia

Quem trabalha com mais de uma técnica sabe que uma sessão de acupuntura não se registra como uma sessão de cinesioterapia. Os pontos, a técnica de estimulação e o tempo de retenção não cabem nos mesmos campos de uma sessão de exercícios terapêuticos; os segmentos ajustados na quiropraxia também não.

O que conferir no software:

  1. Existe ficha de sessão própria para cada terapia, ou um único campo de observações para tudo?
  2. A avaliação inicial muda conforme a terapia (exame ortopédico e neurológico na fisioterapia, diagnóstico pela medicina tradicional chinesa na acupuntura, palpação segmentar na quiropraxia)?
  3. Há um registro de reavaliação mais curto que a avaliação inicial? Refazer a ficha completa a cada cinco sessões desestimula o registro.
  4. Os campos mudam com a espécie? Teste ortopédico de cão não é o mesmo de cavalo.

No VetMotion: são quatro terapias, cada uma com ficha própria — fisioterapia, acupuntura, osteopatia e quiropraxia. A hidroterapia é registrada como modalidade da fisioterapia. Há avaliação inicial própria para cada uma das quatro terapias, uma reavaliação resumida para o acompanhamento e campos que mudam no cavalo (escala de claudicação da AAEP e testes ortopédicos equinos, por exemplo).

Escalas de dor validadas por espécie no software de fisioterapia veterinária

Dor registrada como "melhorou" não vira gráfico nem argumento. As diretrizes de manejo da dor da AAHA (2022) separam as ferramentas por espécie, por tipo de dor (aguda ou crônica) e por grau de validação. Recomendam registrar os escores de dor e, no paciente crônico, guardar no prontuário os questionários respondidos pelo responsável e revê-los a cada visita.

EspécieEscalaO que vale saber
CãoCMPS-SF (Glasgow, forma curta)6 categorias, escore máximo 24 (20 sem avaliar mobilidade); intervenção analgésica a partir de 6/24 ou 5/20
GatoFeline Grimace Scale5 unidades de ação faciais pontuadas de 0 a 2; no estudo de validação, analgesia de resgate com escore acima de 0,39 do máximo possível
GatoUNESP-Botucatu (multidimensional)Faixa de 0 a 30; analgesia de resgate acima de 7
CavaloHorse Grimace Scale6 unidades de ação faciais de 0 a 2, máximo 12

Na tabela da AAHA, a Feline Grimace Scale e a UNESP-Botucatu aparecem como válidas e a CMPS-SF como moderadamente validada; a escala de Colorado (cão e gato) aparece como não validada. Ela pode ajudar na triagem, mas não deveria ser a única base de um gráfico de evolução. A diretriz da AAHA trata só de cães e gatos — a Horse Grimace Scale vem do estudo de validação em equinos.

Outro cuidado: as quatro escalas da tabela foram validadas para dor aguda, em boa parte no pós-operatório. No paciente crônico da reabilitação elas ajudam a acompanhar a sessão, mas não substituem os instrumentos de dor crônica. Para esse paciente, a mesma diretriz lista questionários respondidos pelo responsável — CBPI e LOAD em cães, FMPI em gatos — e sugere registrar o resultado no prontuário.

O que conferir no software:

  1. As escalas disponíveis mudam conforme a espécie do paciente?
  2. O sistema guarda a escala usada junto com o número? Um 6 na CMPS-SF e um 6 numa escala de 0 a 10 não são comparáveis.
  3. O gráfico de dor separa escalas diferentes em vez de juntá-las numa linha só?

No VetMotion: cão tem CMPS-SF e Colorado; gato tem Feline Grimace Scale, UNESP-Botucatu e Colorado; cavalo tem Horse Grimace Scale e Composite Pain Scale. Todas as espécies têm escala numérica e visual analógica (NRS/EVA), e há mapa de dor com silhueta de cão, gato e cavalo. Os questionários de dor crônica (CBPI, LOAD, FMPI) não estão embutidos no app hoje.

Goniometria e perimetria em gráfico

Amplitude articular e circunferência muscular são as medidas objetivas mais usadas na reabilitação, e as duas têm limites de reprodutibilidade que o sistema precisa respeitar.

Na prática: a mesma pessoa mede, na mesma posição, no mesmo ponto de referência, e anota as condições. Uma diferença de 1 cm na coxa entre duas sessões pode ser só erro de medida — e, entre avaliadores diferentes, a margem é bem maior.

O que conferir no software:

  1. As medidas ficam por articulação e por lado (esquerdo e direito), com data?
  2. Há gráfico da evolução de cada medida, comparando os dois lados?
  3. Dá para registrar quem mediu e em que condição?

No VetMotion: a goniometria fica em graus e a circunferência em centímetros, por articulação e por lado, com gráfico de evolução. A aba Evolução reúne dor, peso e medidas na mesma linha do tempo, com um modo de apresentação para mostrar ao responsável.

Área do responsável e adesão aos exercícios em casa

O exercício prescrito para casa é parte do tratamento, mas só vira dado se alguém registrar que ele foi feito. Sem esse registro, a reavaliação não diferencia "o protocolo não funcionou" de "o protocolo não foi feito".

O que conferir no software:

  1. O responsável recebe os exercícios com passo a passo, e não só o nome?
  2. Ele consegue marcar o que fez, e você vê essa adesão sem precisar perguntar?
  3. A área do responsável funciona também para quem não tem exercício (acupuntura, por exemplo), mostrando agenda e evolução?
  4. O acesso é simples para quem não usa e-mail?

No VetMotion: a biblioteca de exercícios tem indicação, como realizar e cuidados; a veterinária pode anexar vídeo próprio ou link do YouTube (os exercícios não vêm com vídeo pronto). O responsável entra com WhatsApp e senha, marca "Fiz hoje", acompanha a sequência de dias, a evolução em números, a agenda e os pagamentos, e pode incluir até cinco cuidadores. A adesão aparece para a veterinária no Início e na aba Evolução.

Agenda, cobrança por sessão e pacotes

Na reabilitação, a cobrança costuma ser por sessão ou por pacote — e é aí que dinheiro se perde: a sessão é feita e ninguém lança a cobrança.

O que conferir no software:

  1. Registrar a sessão já gera a cobrança dela, com o preço da sua tabela?
  2. Dá para ter preço diferente por animal (um paciente antigo, um desconto combinado)?
  3. O sistema controla pacotes de sessões e mostra quantas faltam?
  4. Você vê, por animal, o que está pago e o que está em aberto?
  5. A agenda se liga ao atendimento — o compromisso vira sessão registrada?

No VetMotion: a sessão registrada já nasce com a cobrança; o financeiro é organizado por animal, com pacotes de sessões e mensagem de cobrança pelo WhatsApp com a chave Pix. A cobrança online por boleto e Pix funciona pela conta Asaas ou Banco Inter da própria veterinária (não há cobrança online por cartão). Agendamento online pelo responsável e rota do dia para atendimento domiciliar estão disponíveis a partir do plano Pro.

Funcionar sem internet no atendimento domiciliar

Quem atende em domicílio conhece a cena: sessão feita, celular sem sinal no subsolo do prédio. Um sistema que depende de conexão para salvar perde o registro ou empurra a anotação para o fim do dia, de memória.

O que conferir no software:

  1. O app abre sem conexão, com os dados dos pacientes do dia?
  2. O que foi digitado fica salvo no aparelho se o celular apagar ou a tela fechar?
  3. O registro feito sem sinal é enviado sozinho quando a conexão volta?

No VetMotion: o app funciona sem internet, com rascunho automático dos formulários e gravação de consulta recuperável se o celular interromper.

LGPD e segurança dos dados no software de fisioterapia veterinária

O prontuário veterinário contém dados pessoais do responsável — nome, CPF, endereço, telefone. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) exige que os agentes de tratamento adotem medidas de segurança, técnicas e administrativas, contra acessos não autorizados e situações de destruição, perda, alteração ou vazamento (art. 46), e garante ao titular — aqui, o responsável — acesso e portabilidade dos dados (art. 18). Quem responde a esses pedidos é a clínica ou a veterinária; o sistema precisa permitir atendê-los.

Além da LGPD, a Resolução CFMV nº 1.321/2020 pede que documentos expedidos eletronicamente contem com sistemas capazes de garantir segurança, autenticidade, confidencialidade e integridade das informações, e que o prontuário seja arquivado por pelo menos 5 anos após o último atendimento.

O que conferir no software:

  1. Cada pessoa só vê o que precisa (colega da clínica, funcionário, responsável)?
  2. Você consegue exportar todos os seus dados se decidir trocar de sistema?
  3. O fornecedor publica termos de uso e política de privacidade claros?

No VetMotion: a exportação completa fica em Configurações › Conta › "Baixar meus dados". O responsável vê apenas os animais dele e, na reavaliação, só um resumo em linguagem simples que a veterinária escolhe compartilhar; a avaliação inicial fica restrita à equipe clínica.

Checklist rápido

Leve esta lista para qualquer demonstração de software de fisioterapia veterinária:

  1. Ficha própria por terapia e por espécie
  2. Escalas de dor validadas por espécie, com a escala guardada junto do número
  3. Goniometria e perimetria por articulação e lado, em gráfico
  4. Exercícios de casa com passo a passo e registro de adesão
  5. Sessão que já gera a cobrança, preço por animal e pacotes
  6. Funciona sem sinal e não perde o que foi digitado
  7. Controle de acesso por perfil e exportação dos dados (LGPD)

Teste com seus pacientes

O VetMotion foi criado por uma médica-veterinária pós-graduada em fisiatria veterinária para a própria rotina de reabilitação. A I.A. escreve o prontuário a partir da gravação da consulta, e a veterinária revisa e aprova tudo — a decisão clínica é sempre sua.

São 14 dias de teste, sem cartão, no plano que você escolher: começar meu teste.

Quer ver como isso fica em cada tipo de rotina? Veja o app para fisioterapia veterinária, o app para veterinário autônomo e a agenda para veterinário domiciliar.

Perguntas frequentes

Um sistema de clínica geral serve para fisioterapia veterinária?

Serve para cadastro, agenda e financeiro, mas costuma faltar o que é próprio da reabilitação: ficha por terapia, escalas de dor por espécie, goniometria e perimetria seriadas em gráfico e acompanhamento dos exercícios feitos em casa. Sem isso, a evolução fica em texto livre e é difícil mostrar resultado ao responsável e ao colega que encaminhou.

Quais escalas de dor o software de fisioterapia veterinária deveria oferecer?

Para dor aguda, as diretrizes da AAHA (2022) classificam a Feline Grimace Scale e a UNESP-Botucatu como válidas em gatos e a CMPS-SF (Glasgow, forma curta) como moderadamente validada em cães; a escala de Colorado aparece como não validada. A AAHA trata só de cães e gatos: em equinos, a Horse Grimace Scale foi validada em cavalos submetidos a orquiectomia. Para dor crônica, a AAHA lista questionários respondidos pelo responsável, como CBPI e LOAD em cães e FMPI em gatos. O importante é que o sistema guarde a escala usada junto com o número, para não misturar escalas no gráfico.

O software precisa funcionar sem internet?

Para quem atende em domicílio, sim. Garagem, condomínio e zona rural derrubam o sinal, e o registro da sessão não pode depender disso. Confira se o sistema abre sem conexão, guarda o que foi digitado e envia quando o sinal volta.

Dado de saúde do animal é dado sensível pela LGPD?

Não no sentido da lei: dado sensível é, entre outros, o dado referente à saúde quando vinculado a uma pessoa natural (art. 5º, II), e o animal não é titular. Mas o prontuário contém dados pessoais do responsável (nome, CPF, endereço, telefone), e a lei exige medidas de segurança contra acesso não autorizado, perda e vazamento (art. 46). Por isso o sistema precisa controlar quem vê o quê e permitir exportar os dados.

Por quanto tempo o software precisa guardar o prontuário?

A Resolução CFMV nº 1.321/2020 determina que o prontuário seja arquivado por pelo menos 5 anos após a data do último atendimento, mesmo em caso de óbito do animal. O sistema precisa manter esse histórico acessível e gerar cópia rápido: com a redação dada pela Resolução CFMV nº 1.653/2025, a cópia pedida pelo responsável deve ser entregue em até 5 dias úteis.

Consigo trazer meus pacientes de uma planilha?

Depende do sistema. No VetMotion, a importação aceita planilha em CSV, XLSX ou XLS, pela tela Pacientes. Antes de migrar, revise duplicidades de responsáveis e padronize os telefones: no VetMotion, é pelo número de WhatsApp ou telefone que o sistema reconhece um responsável já cadastrado.

Fontes consultadas

  1. CFMV — Resolução nº 1.321/2020 (documentos na clínica médico-veterinária), texto compilado no Manual de Legislação do Sistema CFMV/CRMVs
  2. CFMV — Resolução nº 1.653/2025, que altera a Resolução nº 1.321/2020 (DOU de 02/07/2025)
  3. Gruen ME et al. — 2022 AAHA Pain Management Guidelines for Dogs and Cats (J Am Anim Hosp Assoc 2022;58:55-76)
  4. Testa B et al. — The Short Form of the Glasgow Composite Measure Pain Scale in Post-operative Analgesia Studies in Dogs: A Scoping Review (Front Vet Sci, 2021)
  5. Evangelista MC et al. — Facial expressions of pain in cats: the development and validation of a Feline Grimace Scale (Sci Rep, 2019)
  6. Brondani JT et al. — Validation of the English version of the UNESP-Botucatu multidimensional composite pain scale for assessing postoperative pain in cats (BMC Vet Res, 2013)
  7. Dalla Costa E et al. — Development of the Horse Grimace Scale (HGS) as a pain assessment tool in horses undergoing routine castration (PLoS One, 2014)
  8. Volz F et al. — Inter-rater reliability in performing stifle goniometry in normal and cranial cruciate ligament disease affected dogs (BMC Vet Res, 2024)
  9. Bascuñán AL et al. — Evaluation of Factors Influencing Thigh Circumference Measurement in Dogs (Veterinary Evidence, 2016)
  10. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

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